Em 17 de março de 2020, o Papa Francisco fez uma bela homilia sobre perdão. Durante o tempo Quaresmal, somos convidados a abrir o coração, perdoar e ser perdoado.

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O retorno do filho pródigo” do pintor holandês Rembrandt

CELEBRAÇÃO MATUTINA TRANSMITIDA AO VIVO

DA CAPELA DA CASA SANTA MARTA

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO 

“Pedir perdão implica perdoar”

Terça-feira, 17 de março de 2020

 


Introdução à Santa Missa

Hoje gostaria de rezar convosco pelos anciãos que sofrem neste momento de modo particular, com uma solidão interior muito grande e por vezes com tanto medo. Peçamos ao Senhor que esteja próximo dos nossos avôs e avós, de todos os anciãos, e que lhes dê força. Eles transmitiram-nos a sabedoria, a vida, a história. Também nós nos façamos próximos deles com a oração.

Homilia

Jesus tenciona fazer uma catequese sobre a unidade dos irmãos e acaba por proferir uma bonita expressão: “Asseguro-vos que se dois ou três de vós, chegarem a um acordo e pedirem uma graça, ela ser-vos-á concedida». A unidade, a amizade, a paz entre os irmãos atrai a benevolência de Deus. E Pedro faz esta pergunta: “Sim, mas o que devemos fazer com as pessoas que nos ofendem? Se o meu irmão pecar contra mim, se me ofender, quantas vezes deverei perdoá-lo? Até sete vezes?”. Jesus responde com aquela palavra que, no idioma deles, significa “sempre”: “Setenta vezes sete”. Devemos perdoar sempre.

Mas não é fácil perdoar. Porque o nosso coração egoísta está sempre apegado ao ódio, às vinganças, aos rancores. Todos vemos famílias destruídas por ódios familiares que passam de geração em geração. Irmãos que, diante do caixão de um dos pais, não se saúdam porque levam adiante rancores antigos. Parece que o apegar-se ao ódio é mais forte do que o apegar-se ao amor; e este é propriamente o tesouro – digamos assim – do diabo. Ele esconde-se sempre entre os nossos rancores, entre os nossos ódios e fá-los crescer, mantendo-os ali para destruir. Destrói tudo. E muitas vezes destrói por coisas insignificantes.

E também se destrói este Deus que não veio para condenar, mas para perdoar. Este Deus que é capaz de fazer festa por um pecador que se aproxima e esquece tudo. Quando Deus perdoa, esquece todo o mal que fizemos. Alguém dirá: “É a doença de Deus”. Nestes casos Ele não tem memória, é capaz de perder a memória. Deus perde a memória das histórias terríveis de tantos pecadores, dos nossos pecados. Perdoa-nos e segue adiante. Pede-nos apenas: “Faz o mesmo: aprende a perdoar”, não leves adiante esta cruz infecunda do ódio, do rancor, do “vais pagar por isto”. Esta palavra não é nem cristã nem humana. É a generosidade de Jesus que nos ensina que para entrar no céu devemos perdoar. Aliás, diz-nos: “Vais à Missa?” – “Sim” – “Mas se fores à Missa e te recordares que o teu irmão tem algo contra ti, primeiro, não venhas ao meu encontro com o amor por mim numa mão e com o ódio pelo irmão na outra”. Coerência de amor. Perdoar. Perdoar de coração!

Há pessoas que vivem condenado o próximo, falando mal dos outros, difamando continuamente os seus colegas de trabalho, os vizinhos, os parentes, porque não perdoam algo que lhes fizeram, ou não perdoam algo que não lhes agradou. Parece que a riqueza própria do diabo é esta: semear o amor não perdoando, viver apegado ao não-perdão. Mas o perdão é a condição para entrar no céu.

A parábola que Jesus nos narra é muito clara: perdoar. Que o Senhor nos ensine esta sabedoria do perdão, a qual não é fácil. E façamos algo: quando formos confessar-nos, quando recebermos o sacramento da reconciliação, antes perguntemo-nos: “Eu perdoo?”. Se sinto que não perdoo, não devo fingir que peço o perdão, porque não serei perdoado. Pedir perdão significa perdoar. Ambos caminham juntos. Não podem separar-se. E quantos pedem perdão para si, como aquele senhor a quem o patrão perdoa tudo, mas não perdoam os outros, acabarão como aquele senhor. “Assim vos tratará o meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar ao seu irmão, de todo o coração”.

Que o Senhor nos ajude a entender isto e a abaixar a cabeça, a não ser soberbos, a ser magnânimos no perdão. Ao menos a perdoar “por interesse”. Como é possível? Sim: perdoar, pois se eu não perdoar, não serei perdoado. Pelo menos isto. Mas perdoar sempre!

 

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